CiaSenhas cria formas pujantes em ‘Circo negro’, por Valmir Santos

 

Circo-NegroMaringas-Maciel-3vale

“Como dar corpo à meticulosa dramaturgia de subversões ao personagem, ao ator, ao narrador, ao diálogo, ao observador, ao título? Em Circo negro, tudo está em suspenso feito o pisar tenso do trapezista no arame de aço, sob o mar de olhos estupefatos a seus pés.

Na peça de meados da década de 1990, originalmente destinada à manipulação de bonecos, o diretor e dramaturgo Daniel Veronese mistura elementos do naturalismo e do realismo que serão profundamente decantados em peças de sua autoria (e para atores) ou em adaptações que viriam depois, como nas recentes visitas a textos de Tchékhov e Ibsen.

Quem mergulha naquela tão produtiva quanto bem humorada crise de representação é a CiaSenhas de Teatro. Seus artistas demonstram intimidade com os experimentos pós-dramáticos do cofundador do grupo El Periférico de Objetos, cometendo transbordos e sínteses de linguagens da cena e da escrita processados pelo núcleo curitibano há 14 anos. Sob o manto das inquietudes deste Circo negro, a companhia inventa formas e se coloca em perspectiva pujante quanto ao caráter multidimensional da cena.

Veronse deve ter se espantado com a ideia de um grupo brasileiro, não praticante do teatro de animação, montar o roteiro que ele e Ana Alvarado dirigiram em 1996. Para quem acompanha a CiaSenhas de longa data, o encontro estético se revelou dos mais frutíferos.”

 

Leia a crítica na íntegra aqui.

Anúncios