Circo Negro no SESC Ipiranga

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Circo Negro em temporada no SESC Ipiranga

 
CIRCO NEGRO
26/10 a 08/12
sábado às 21h e domingo às 18h
SESC Ipiranga
Rua Bom Pastor, 822
São Paulo/SP
11-3340-2000
 
Ingressos de R$6,00–R$30,00.
 
Ingressos disponíveis para venda no site do SESC. 
 

Realidade e ficção se revezam no palco-circo da Cia. Senhas

Em “Circo Negro”, escrito pelo argentino Daniel Veronese e apresentado em São Paulo durante o Festival Brasileiro do Teatro, o grupo curitibano explora os truques e as fissuras do fazer teatral

MARIA FERNANDA VOMERO
25/09/2013 14h00 – Atualizado em 25/09/2013 14h03
 
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Os atores Rafael di Lari, Greice Barros, Luiz Bertazzo e Ciliane Vendruscolo, da Cia. Senhas, em cena de “Circo Negro”. (Foto: Divulgação)
 

 

“Respeitável público!” Um tubarão inflável e teleguiado sobrevoa nossas cabeças e nos dá as boas-vindas com seus movimentos circulares. No palco, quatro atores executam ações triviais (ou seriam quatro personagens que simulam ser atores e executam movimentos bastante calculados, reproduzindo ações triviais?). A trilha cria uma atmosfera de picardia – e, talvez, de picadeiro –, as luzes permanecem acesas por alguns momentos ainda, os atores/personagens aceleram o ritmo; ora, estimada plateia, o espetáculo já começou.

A curitibana Cia. Senhas de Teatro trouxe a São Paulo, durante o Festival Brasileiro do Teatro, sua leitura para o texto Circo Negro, do argentino Daniel Veronese, um dos nomes mais importantes da dramaturgia contemporânea latino-americana [recentemente, o Espanca!, grupo de Minas Gerais, montou O Líquido Tátil, outra obra de Veronese, com direção dele mesmo]. Há quem identifique, entre as escolhas recorrentes do argentino, a presença de um realismo não subserviente, um realismo contaminado pelo humor ácido, quase melancólico, e por um registro entre o sinistro e o grotesco, além do flerte com a metalinguagem. A encenação – como tema e como forma, engrenagem – está sempre em xeque, mesmo quando não é o foco principal da narrativa. É como se Veronese propusesse um teatro em constante embate interno, um teatro-fênix, que precisa ser dissolvido ou desconstruído para que, em seguida e de imediato, se refaça, carregado de frescor – e de fissuras (para ser de novo implodido).

 

Leia a crítica na íntegra.